Minúscula Imensidão

Quem nunca embarcou num ônibus, sentou do lado da janela, encostou a cabeça no vidro e começou a ter aquelas reflexões melancólicas de um fim de dia conturbado?
Essas reflexões até estranhas, que surgem de uma fagulha de pensamento, mas que incendeiam a mente, fervem tua cabeça, te fazem pensar sobre o quão pequena é nossa estada aqui nesse mundinho, o quão insignificante pode ser nosso dia que passou dentre a história que será contada lá na frente.
Porque vai ser lá, lá pelos sessenta, setenta e tantos, com sorte oitenta ou até noventa, que se inicia aquele feedback bendito ou maldito, dependendo daquilo que tu faz a cada segundo que passa, inclusive nesse que passou, nesse de agora e agora.
Queiram vocês que quando o filme da vida, escrito e dirigido por ti desde o momento que resolveu dar seus próprios passos, seja digno de um Oscar no quesito: bem vivido. Queiram vocês que seus netos sorriam e abram os olhos e ouvidos atentos a tua historinha baseada nos mais belos fatos reais, pode ser o primeiro encontro com a tua velha(ou velho), que te acompanhará para o sempre, essa que você já conhece e nem sabe, essa que você nem sabe, mas já conhece, essa que você quer, mas não consegue ou essa que não tem nem como explicar, mas que vai ser, vai ser ou não. Ou então contar sobre aquela festa com os amigos, que no fim de tudo, após beber todas, inclusive as da vaquinha do "dá 10 real ai", você fez a maior loucura de todos os seus tempos, que você correu pelado no gramadão, ou que pulou na piscina de madrugada e ainda teve a coragem de olhar para os teus amigos e dizer: -Pode entrar que tá boa!
É meu amigo, uma hora esse dia chega, talvez não, mas tomara que sim, imagina só, imagina mesmo.
Por isso, o bacana, o supimpa, sensacional, da hora, legal... é o viver, mas não o viver desses de olhar pro relógio esperando a hora de dar adeus. O viver desse que ao invés de "to com saudade", é o "to chegando ai". É aquele do fim do dia exaustivo, que você deita e "puta merda, esse dia foi massa".

Comentários