Oráculo
Quem diria? Eu, no infinitamente particular local de conforto das minhas minhas próprias palavras, não cogitaria. E apelando a uma exacerbada sinceridade que não sou dono, admito que há surpresa na sequência dos eventos. Minha cabeça, uma massa crua sem cheiro, fraquinha, vivenciou pouco das coisas. Quando vejo uma luz frouxa, fico besta, bobo, tonto, sem jeito, sem charme. E assim deixo embaçar meus sentidos, me vou em sucumbência com meu estômago aquecido e a pele fragmentada. Veja bem, se atente à lógica por trás daquilo que estou tentando cuspir, essas coisas dependem muito da forma, da forma com que são entendidas, que dependem da forma com que são contadas. Sob os efeitos de uma mutação interna que me afeta em ações de interação com o mundo, abandono aquela que deveria ser a verdadeira e absoluta forma dos fatos, me abraço a uma profética, pessimista e fatídica versão de mundo. "Me diga se os sintomas da ânsia valem o fim da história", suplico a um oráculo miste...