Manual de operação e manutenção

Estresse que polui, excesso de desinformação, sensações imediatas. Os Campos Elísios da mente convertidos em Tártaro. No córrego das ideias, o pensar não tem fluído. Asteroides acompanham a órbita de meus pensamentos. Pareidolia maldita faz o foco ser engolido por faces em desagrado num looping sufocante que se desmancha num borbulhar ácido. O estômago pressiona e cospe, como reflexo de insatisfação.

A máquina orgânica começou a apresentar problemas. Em cada amanhecer, nas divisões de tempo do meu universo observável, as moscas nadam no vítreo, zumbindo sobre a pupila e se fazem sombra que tortura. A fuligem, a  pele morta, fibras de estofamento, carpete, ácaros, chumbo, arsênio. O prurido, o comichão. As vias aéreas, o pulmão, a pele, os olhos. O infante que em mim vive, teimoso, indisciplinado, dono da falta de bons hábitos, riscou as janelas da alma e pisou na grama da salubridade, mesmo vendo a placa.

Excitação de terminações nervosas. Ofegância. Esmaecimento. Ruptura.

Alguns processos, antes banais, com o surgimento das primeiras falhas, se mostraram essenciais para o bem estar, entretanto sensíveis. Permanece-se, no momento, em equilíbrio instável, devido à surpresa.

Alguns já nascem humanos, outros se tornam. Se tornam quando o tempo lhes arranca a imponência. Quando meios e processos, físicos e não físicos, fadigados, passam a mostrar sua fragilidade.

Na tênue entre o timing e a precipitação, existe um indivíduo que só quer dissipar a fumaça e respirar novamente um ar de grandeza. É hora de seguir o manual. 

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