Moinho 

Se paro, mesmo que brevemente, olho para trás. 
Antigamente, apenas bons olhares.
Não tem sido possível.
Vejo sombras de pessoas que costumavam ser meus pilares. 
Suas silhuetas de desaprovação apontam para mim. 
Em resposta, eu também aponto. 
Mas, no fundo, ninguém tem culpa.

Pergunto-me se os pontos de divergência são parte de um futuro entendimento do meu "agora". 
Porém, um sopro de maturidade, por mais infeliz que possa soar, indica-me uma resposta simples. 

O tempo passa e certos pilares se desfazem, outros surgem. 
Um jamais substitui o outro. Cada um possui características que os fazem únicos. 

O passar do tempo, esse vento modificador, modela o momento.
Destacando saudades. Antigos amigos. Amigos e lugares. Amigos, lugares e situações. 

Resta um gole de melancolia. 
Para virar a página, basta bebe-lo, assinando assim, um contrato de aceitação.
São novos tempos.


O mundo é um moinho. 
Vai triturar teus sonhos, tão mesquinho
Vai reduzir as ilusões a pó.





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