Plateia
Abrir caminhos é, além de aguentar o peso do arado, saber orientar cada gota que derrapa pelas depressões e perceber no gosto de sal o sinal de que o chão ainda é firme.
Para seguidores não há glória, pois correr em terra fofa é banal, basta viver num rufar de tambores eterno e, ao esconder-se por detrás da poeira, rasgar sucessivamente todas as folhas do calendário.
A fumaça é produto da combustão. Se não cria, não sabe, não sente. Embora as boas histórias contadas se reservem à descoberta do fogo, a chama já feita é que atrai olhares da multidão, basta uma fagulha em um amontoado de folhas secas. O estalo da fogueira em questão soa como um grito solto e fora de hora, que se faz cinza quando não há propósito.
No caderno do crítico estão as grandes performances, capazes de colorir em looping sem gerar monotonia aparente, não há espaço para seguidores, tampouco acendedores de fogueira.
A imparcialidade, novamente, fica a cargo da plateia que, em sua grande maioria, opta por se impressionar fácil, decorar bordões dos programas do horário nobre e ser risada de fundo numa comédia pastelão.
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