Arranjo irregular
Agora eu entendo melhor aqueles gestos, quando diminuem a área do corpo, caminham para trás e, encurralados, se apavoram. Ficam presos ao se entregar e se desentendem ao se explicar e se reaprendem ao se apagar. Na ausência de interrogação, começam a dizer que não existe vida além do outro, mesmo que o outro não exista atualmente na forma material e concreta, mesmo que seja apenas uma ideia oposta a suas falhas e rachaduras, a estrutura naturalmente instável que é ser humano.
Se no fim da conversa decidem por dizer que se trata de um mal-entendido, deixo claro que eu parei meu julgamento há cinco ou seis minutos, quando meu olhar ainda permanecia distante, pois eu não sou o guardião da calma sentado em um trono de razão, eu sou o menino lobo, o analítico intuitivo.
Se no fim da conversa decidem por dizer que se trata de um mal-entendido, deixo claro que eu parei meu julgamento há cinco ou seis minutos, quando meu olhar ainda permanecia distante, pois eu não sou o guardião da calma sentado em um trono de razão, eu sou o menino lobo, o analítico intuitivo.
O escuro é o desconhecido, em uma escala cósmica ou pessoal, é aquilo que não nos ensinaram somado àquilo que optei por não aprender, é a essência da ignorância em suas variadas formas, pela falta de capacidade e pela dificuldade de saber sofrer.
Se por dentro fosse mecânico, frio e linear, com uma estrutura cristalina, arranjo regular, teria me submetido a doses de estresse controladas, conheceria o limite do eu, alteraria meus estados atuais, entenderia por meio de números a analogia da resiliência. Não sou, não aprendi a ser.
E apesar de toda a fala a respeito de autoconhecimento e aceitação, os padrões seguem complexos e a rota para o sucesso próprio, seja como ser social ou membro de uma espécie, se mantém fora do campo de visão. A pedra no caminho é varrida para debaixo da malha do tempo, mas eu tenho uma relação exagerada de amor e medo para com o escuro.
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