Have you got itchy bones and in all your time alone

Manhãs ensolaradas que se convertem em tormenta, é o sol que  timidamente se esconde por de trás de destemidos bolsões de água e de tristeza, nos torna nuvem carregada, prestes a desabar, basta que uma gota de melancolia se manifeste para que a enxurrada venha abaixo e role desornadamente pelas ruas e vielas, pelas curvas do teu rosto, pelo rosa da tua bochecha.
A escuridão da tempestade carrega desconfiança sobre todas as cores e sorrisos, prefiro a escuridão da noite que com seu silêncio ilumina os becos da mente.
Quando fim de dia, noite atípica, é momento de deitar e cerrar as vistas, abrir o tímpano ao ouvir um bom som, para que de forma inócua adentre, fazendo com que o espírito aceite e abra espaço, para que haja como uma chave para o devaneio, destranque as lembranças doces e transforme a tempestade em calmaria.

Ao repousar recordo que tenho um armário cheio de listas, repletas de números telefônicos, desnecessários e esquecidos, mas, ao procurar, não há nenhum que eu possa chamar, que possa ligar para que traga uma bebida, uma bebida que arranque a sobriedade e que transforme a solidão em companhia. É um preço a se pagar.

Estamos diariamente convidados para um jantar com a desolação, o cardápio de insuficiências é bem vasto, possui boas pedidas para a semana toda, primeiro vem a falta e a saudade em geral, depois o arrependimento pelas horas perdidas, junto com o medo que se atira como prato principal. Felizmente, estou saciado e capaz de recusar qualquer convite que seja, ao simplesmente dizer: "Perdão tristeza, mas não estou a fim de te acompanhar no dia de hoje".

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