Quando fim de dia, noite atípica, é momento de deitar e cerrar as vistas, abrir o tímpano ao ouvir um bom som, para que de forma inócua adentre, fazendo com que o espírito aceite e abra espaço, para que haja como uma chave para o devaneio, destranque as lembranças doces e transforme a tempestade em calmaria.
Ao repousar recordo que tenho um armário cheio de listas, repletas de números telefônicos, desnecessários e esquecidos, mas, ao procurar, não há nenhum que eu possa chamar, que possa ligar para que traga uma bebida, uma bebida que arranque a sobriedade e que transforme a solidão em companhia. É um preço a se pagar.
Estamos diariamente convidados para um jantar com a desolação, o
cardápio de insuficiências é bem vasto, possui boas pedidas para a
semana toda, primeiro vem a falta e a saudade em geral, depois o
arrependimento pelas horas perdidas, junto com o medo que se atira como
prato principal. Felizmente, estou saciado e capaz de recusar qualquer convite que seja, ao simplesmente dizer: "Perdão
tristeza, mas não estou a fim de te acompanhar no dia de hoje".
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