Inspiração
A chuva não cai, mas alguma coisa molha a alma e lava.
É irônico estar, nesse tempo de temperaturas altas, sentindo um sopro gélido.
Durante todas as manhãs que sempre começam tarde, durante todas as tardes que terminam cedo, durante todas as noites que parecem sempre tão curtas, eu fico aqui sentado sobre minha própria vontade, deitando e deleitando, por vezes, sob essa incrível inspiração que surge dizendo para ser, ao menos nesse momento, absolutamente nada.
Toda a hora é hora para isso. Todo segundo é tempo para aquilo. Não pare. Não descanse. Seja escravo das tuas própria palavras de ânimo e siga rumo àquilo que é teu graças ao mérito, graças a gotas de suor que, quem sabe, não levarão a nada.
Seria bom encontrar explicação na simplicidade das coisas. Seria bom se tornar o meu próprio Deus. Então, talvez, a única presença a ser sentida seria a própria respiração, como um singelo sinal de vida seguindo, mesmo que morrendo aos pouco, como um singelo sinal de que o mundo está em desconstrução, se acabando a cada movimento do diafragma.
Pena que estamos trabalhando apenas nas obras hipotéticas que a cabeça tem como domínio. No fundo, são e foram e sempre serão apenas palavras descrevendo sensações momentâneas.
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