Calm, Collected and Commanding.

No palco das ilusões, apenas um se apresenta, sozinho e intimidado. O show da noite se resume nisso. Ele sobe lentamente as escadas de acesso e toma postura, encara os olhares frios e as sobrancelhas curvadas, que indicam a seriedade, e acima de tudo, a realidade. Ele queria uma máscara para esconder os sentimentos, pois, dessa forma, não poderia ser afetado. Ele queria uma barreira para qualquer objeto atirado pelo público frio e sem coração.

E esse mesmo continua ali parado, pensa e ambiciona, articula e desenvolve, descreve mil táticas, que no momento parecem infalíveis, mas que infelizmente, na prática não se aplicam. O pré-requisito para a brincadeira aqui é a improvisação.
Busca uma pista em cada pequeno detalhe, por mais insignificantes que possam ser, atraindo partículas desprezíveis, porém, crendo veementemente que essas mesmas são partes fundamentais de todo o plano até então criado, mas não são. Nada é, nem nunca foi, talvez nunca será. Mas ele segue torcendo para que seja. Martela, tecla e repete.
É apenas mais uma marionete, suspensa e frágil, muito suscetível aos ataques do dia a dia. O cotidiano sempre surge pregando peças e chicoteando verdades que por muito tempo não pareciam ser, mas que verídicas e irrevogáveis sempre foram.
A chuva ácida da realidade corrói até mesmo as estátuas mais belas. A superficialidade era apenas um pano a ser retirado, assim como a ilusão é um truque simples, mas eficiente, o qual todos que olham querem apenas desvendar, descobrir cada pequeno segredo por trás dos gestos do ilusionista. Ele também queria.
Porém, é um jogo quase perdido que não oferece razões, ao menos não da forma como vinha sendo. Ele crê que desistir possa ser a única escolha sábia até então, pois, o ciclo apenas se repetiu sem que percebesse, e isso é um erro.
Apesar de desolado, vem como consolo um disparo, disparo que anuncia o início, o som da bala lhe oferece a oportunidade de ser melhor. Não é necessário queimar a largada, mas chegar entre os três primeiros quase sempre oferecerá um lugar no pódio, exposto na vitrine das relevâncias, pois, a importância varia conforme o momento.

Para ele, não há sentido, rota ou mapa. Não há valor, dimensão ou força. Aquilo que está por dentro não é orgânico, embora cresça e tome forma. Mesmo não sendo orgânico, cresce até o limite aceitável, e no menor dos descuidos também pode cair ao chão e se decompor. 






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