Mad sounds


Quando a madrugada se torna a única companheira, aí começam as velhas reflexões de sempre.




É sobre o silêncio.


Me pego num debate interno sobre o silêncio, sobre o meu silêncio e o silêncio em geral.
Tenho muito apresso por essa ausência sonora, não necessariamente o silêncio de uma meditação dos monges que habitam o Tibet, mas é que sabe, de certa forma, o dia a dia se torna ensurdecedor, cansa, suga e aperta, nesse momento, o barulho do nada é, a mim ao menos, muito mais reconfortante.

Mas não é sobre isso que tenho pensado.
Muitas vezes é no silêncio que se ouve muito mais claramente todas as palavras que não são ditas.

Então, é sobre isso...

É bem sobre aquele olhar que fala mil e novecentas e tantas palavras. Fala tudo... mas em silêncio. Uma troca de olhares, a mínima fração do segundo em que a quietude se faz plena. E você só queria descobrir o que se passa do outro lado do espelho, apenas isso, apenas mesmo, mas não consegue. A frustração gerada pela incapacidade de ler cada mente que te impressiona e de entender exatamente o que se passa, mesmo que seja do teu próprio jeitinho. Ah, se te faz bem, que seja mesmo, interprete errado, chute um resultado e aguarde, ninguém está isento dessas pequenas ilusões, e ninguém sofre por isso também. Mas deixa que o silêncio diga.

Também é sobre aquele sorriso sincero que te fala bem perto do ouvido exatamente aquilo que gostaria de ouvir. Balbucia palavras doces e te inspira o mesmo sorriso, de uma forma bonita, essa forma que a gente sente falta. Aquela velha linguagem quieta, aquela que pisa mais fundo na tua areia do que as simples palavras, feliz ou infelizmente, deixa marcas. Convenhamos que a água e o tempo vão limpando as pegadas e moldando um novo tapete para que alguém venha e pise novamente, para que pise ou desenhe, estamos propensos à essa dúvida.

Também é sobre o abraço, sobre o calor transferido quando os dois corpos entram em contato. Sobre a liga que se forma quando a pele se toca, o arrepio que se espalha e o cheirinho do perfume que entra pelas vias nasais, atinge as células olfativas e todo aquele processo biológico, porém, liricamente dizendo, pode estar alcançando a via que leva direto ao coração. Olha que as vezes é mesmo, aqui no manual da vida se sugere cuidado para esses casos.

Parece bem desnecessário dizer coisas que estamos enjoados de saber, de ver e ouvir e de pensar, porém, me perdoem os chatos, mas é no silêncio dessas minhas palavras que julgo ser necessário sim, faz falta, fazem muita falta essas mínimas atitudes e gestos, se algum cubo de gelo, desses que vemos por aí, discorda, bom pra ele, que siga curtindo o frio que a alma se torna, mas a hipotermia não custa a chegar, vem rápido e nesse caso, não é indolor.

É sempre sobre o que se sente, e não sobre o que se diz.
É sempre de um jeito sublime, e não jogado da boca pra fora.
É sempre sobre o silêncio. É sempre quieto sempre.

Mas é sempre duvidoso, e bem por isso é sempre tão bom.

Comentários

Postar um comentário

Postagens mais visitadas