'cause a kick wakes

Em um lugar distante, um lugar estranho, em um ponto desconhecido da trajetória, eu me perdi.  Me tornei quem sou hoje sem querer lembrar quem já fui um dia. Talvez um erro, talvez o maior dos acertos.
 Não há chances para o monótono, nem para o comum, assim como não há salvação para o insignificante.
 Me abaixei de leve, olhei pelo buraco da fechadura, e só conseguia ver uma sombra de quem eu gostaria de ser um dia. Baseado nisso pintei um quadro, fiz um esboço daquilo que na época me parecia ideal, tão ideal como a ideia de que aquilo que era o perfeito e utópico, atualmente não passa de uma poeira, prestes a ser varrida para debaixo desse grande tapete.
 A memória já não faz esforço algum para me trazer as tristes recordações daquele quadro, que hoje em tons de sépia, mais parece uma fotografia aterrorizante tirada nos anos 60.
Ingratidão cortar as raízes do obvio, tentar mascarar uma face que não se encontra um sorriso. Exatidão constatada, as cores do céu tem vibrado, ao me ver correr contrário ao que havia sido proposto pelo grande comandante, embora, eu já nem saiba se o céu das histórias é o mesmo que olho ao longe, e que me corta os sentidos, na busca de uma resposta para aquilo que não se quer saber a tempos. 
Aonde fui parar? Aonde nós fomos enquanto caminhávamos na rua da infância? 
Não me lembro de ter pedido carona ao tempo, pois, queria aproveitar a visão do amanhã, para que então, olhasse para o ontem e não sentisse apenas o amarelo apagado, como pó de café na folha.
 Todavia, aqui estou, em pé parado, sob o trem em movimento, sob a brisa que me segue, só para não me fazer esquecer de que tudo pode não passar de uma ilusão que os dias bons podem trazer, apenas para empurrar os pés da cadeira, os pés da frente, eles estão levantados, enquanto eu me balanço. Se fizer isso, eu caio.

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