Sweet booby trap

Das coisas a se ter medo na vida, nas dez mais da minha lista está a dependência, qualquer que seja ela. Dentro disso procuro constantemente me manter longe dela, sem querer ser mais frio que o inverno, porém, me mantendo dentro da faixa do controlável.

Mas por vezes, não há como saber o limite até onde se pode ou não caminhar, o ponto médio dessa longa ponte suspensa não foi estimado. A partir disso, os passos se seguem sem direção, sabendo apenas que, de qualquer forma, o degrau mais importante é sempre o próximo, e ele está visível, por ironia.

Correntes que simplesmente te puxam para lugar algum, o chão parece se mover e a queda inevitável, como se você soubesse exatamente o local do tombo e não desviasse. O baque não é pequeno, embora seja agradável, uma espécie de fuga ensaiada, onde se sabe por onde não ir, mas, você simplesmente vai. É sinuoso, porém, convidativo.

Magnetismo contido não nas palavras, mas na presença, são diálogos sem nenhum verbete e atitudes sem movimento. É apenas uma brincadeira dos dedos, um mestre das marionetes.

Se ver, de repente, andando nas escadas de Penrose e não se assustar, sorrir e continuar, numa infinita marcha da ilusão. É areia movediça.

Endorfina corre nas veias, mas o pensamento simplesmente flutua, não há mais o que pensar sobre isso, pois, o dia já amanheceu, sem que alguém percebesse. É um relógio sem ponteiros.

A seta está ligada para a esquerda, mas o volante simplesmente gira no sentido horário. Estar aqui preso no buraco de minhoca em que os olhos se fecham para voltar para o mesmo espaço de tempo. É o mesmo tema, com uma nova variação. É uma dependência física.

É a busca pelo equilíbrio, equilíbrio térmico, equilíbrio térmico interno, mais por dentro do que o corpo ostenta, falo da parte astral da coisa.

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